A Polícia Federal deflagrou operação nesta terça-feira (17) para apurar o possível vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do procurador-geral da República e de seus familiares. O caso envolve acessos ilegais ao sistema da Receita Federal e levanta questionamentos sobre a segurança de informações sensíveis em sistemas governamentais.
Segundo nota divulgada pelo STF, investigações iniciais identificaram “diversos e múltiplos acessos ilegais” ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A operação da PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, com base em relatório enviado pela Receita Federal ao Supremo.
Servidores da Receita Federal sob investigação
Quatro servidores da Receita Federal foram identificados como responsáveis pelos acessos ilegais aos dados sigilosos: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Nos próximos dias, todos deverão prestar depoimentos à Polícia Federal, que dará continuidade às investigações para esclarecer as motivações e possíveis conexões entre os envolvidos.
Além dos acessos indevidos, o STF constatou que houve entrega dos dados sigilosos a terceiros, o que agrava ainda mais a situação. As autoridades buscam identificar quem recebeu essas informações e se existe uma rede articulada por trás do vazamento.
Reação das entidades representativas
O Sindifisco Nacional e a Unafisco Nacional manifestaram preocupação após a operação da Polícia Federal. As entidades que representam os auditores fiscais demonstraram inquietação com os desdobramentos do caso, embora não tenham divulgado detalhes sobre suas posições específicas em relação aos servidores investigados.
Durante debate no programa O Grande Debate, o empresário Leonardo Bortoletto afirmou que o clima permanece institucional. Segundo ele, o assunto é grave e preocupante, mas natural dentro de um processo de investigação, sem que isso represente necessariamente uma crise entre as instituições envolvidas.
Gravidade do vazamento de dados do STF
O comentarista José Eduardo Cardozo classificou os fatos como gravíssimos durante o mesmo debate. Ele enfatizou que a quebra de sigilos para investigar autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal, é inaceitável e requer apuração rigorosa dentro do devido processo legal.
Cardozo destacou três questões fundamentais que precisam ser esclarecidas: a comprovação do ilícito, a identificação de quem recebeu o material e a descoberta dos mentores dessa operação. Segundo o comentarista, já existem indícios suficientes de ilícitos que justificaram as medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Bortoletto acrescentou que ainda não consegue identificar ligação clara entre os quatro envolvidos, além da temática que envolve a ação policial. Ele manifestou expectativa de que as investigações tragam elucidação sobre o que motivou os acessos indevidos ao sistema da Receita Federal.
A Polícia Federal continuará as investigações nos próximos dias, e os depoimentos dos servidores envolvidos serão fundamentais para esclarecer a extensão do vazamento de dados. Ainda não há prazos definidos para a conclusão do inquérito, e as autoridades não confirmaram se há outros investigados além dos quatro servidores já identificados.









