As bolsas europeias fecharam em alta nesta terça-feira (17), impulsionadas por sinais de possível distensão geopolítica no Oriente Médio e por indicadores econômicos que reforçaram as expectativas de afrouxamento monetário no Reino Unido. O desempenho positivo ocorreu apesar da liquidez reduzida nos mercados asiáticos e do movimento mais fraco registrado em Nova York durante o período da manhã.
Em Londres, o FTSE 100 encerrou com valorização de 0,79%, atingindo 10.556,17 pontos, segundo cotações preliminares. Frankfurt registrou alta de 0,82% no DAX, que fechou a 25.005,34 pontos, enquanto Paris viu o CAC 40 ganhar 0,54%, alcançando 8.361,46 pontos.
Desempenho dos Principais Índices Europeus
Os demais mercados da região também apresentaram resultados positivos na sessão. Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,76%, chegando a 45.764,07 pontos. O Ibex 35, em Madri, subiu 0,69%, encerrando em 17.970,40 pontos, enquanto Lisboa registrou ganho mais modesto, com o PSI 20 valorizando 0,17% e fechando a 9.073,89 pontos.
A performance das bolsas europeias refletiu um ambiente de otimismo moderado entre os investidores. Entretanto, o movimento foi marcado por variações setoriais significativas, com destaque para o comportamento divergente entre mineradoras e empresas de turismo.
Dados do Reino Unido Reforçam Expectativas de Corte de Juros
Os indicadores econômicos britânicos divulgados nesta terça-feira mostraram aumento da taxa de desemprego para 5,2%, acompanhado por desaceleração no crescimento dos salários. Segundo Samuel Fuller, da Financial Markets Online, esses dados reforçam a possibilidade de o Banco da Inglaterra (BoE) adotar medidas de estímulo monetário nos próximos meses.
Adicionalmente, o banco ING projeta que o BoE poderá implementar cortes nas taxas de juros já em março e junho deste ano. Essa perspectiva de política monetária mais branda contribuiu para sustentar o apetite por ativos de risco nos mercados europeus durante a sessão.
Inflação Alemã e Riscos da Inteligência Artificial
Na Alemanha, a inflação ao consumidor foi confirmada em 2,1% em janeiro, conforme medição preliminar. O Destatis, escritório oficial de estatísticas do país, afirmou que “a alta geral dos preços ao consumidor se intensificou no início do ano”, indicando pressões inflacionárias persistentes na maior economia europeia.
Enquanto isso, o Morgan Stanley destacou que o mercado elevou a percepção de risco relacionada aos impactos da inteligência artificial no MSCI Europe para 24% do índice. Essa mudança na avaliação de riscos tecnológicos pode influenciar as estratégias de investimento em empresas europeias nos próximos meses.
Movimento Setorial: Mineradoras Pressionam Londres
As ações de mineradoras exerceram pressão negativa sobre o índice londrino, refletindo a queda nos preços dos metais. Antofagasta recuou 3,6%, Fresnillo caiu 2,1% e Anglo American perdeu 2,3%, segundo dados do pregão. O subíndice do setor de metais industriais registrou baixa de aproximadamente 2%.
Em contraste, a BHP avançou 1,6% após anunciar um acordo de US$ 4,3 bilhões para venda futura de prata e divulgar resultado semestral acima das expectativas do mercado. Esse desempenho positivo ajudou a limitar as perdas do setor de mineração nas bolsas europeias.
Destaques Corporativos no Fechamento
No setor de turismo, a InterContinental Hotels registrou alta de cerca de 1% após divulgar lucro anual maior e receita 5,4% superior ao período anterior. Além disso, na reta final do pregão, a Bayer anunciou acordo para resolver processos judiciais atuais e futuros envolvendo a Monsanto nos Estados Unidos, impulsionando suas ações em aproximadamente 7,5% em Frankfurt.
Os investidores aguardam agora novos indicadores econômicos da zona do euro e comunicados dos bancos centrais para avaliar a trajetória da política monetária. A confirmação ou não dos cortes de juros projetados para o Reino Unido deve influenciar o comportamento dos mercados nas próximas semanas.









