Momento revolucionário? CEO da Microsoft compara jogos gerados por IA ao impacto do CGI no cinema

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A Microsoft está apostando alto na inteligência artificial para transformar a criação de jogos, e o CEO Satya Nadella acredita que essa tecnologia pode ter um impacto tão revolucionário quanto o CGI teve na indústria do cinema. Em uma entrevista abrangente, na qual discutiu temas como IA, computação quântica e crescimento econômico, Nadella destacou a importância da plataforma Muse, a nova ferramenta de geração de jogos da Microsoft movida a IA.

Embora o avanço da IA nos jogos seja impressionante, há uma ressalva: até o momento, os jogos gerados por IA na Microsoft rodam a uma resolução de apenas 300 por 180 pixels. Apesar dessa limitação, Nadella afirma que estamos diante de um momento decisivo para a indústria.

“Para mim, isso é um momento incrível. É como a primeira vez que vimos o ChatGPT completar frases”, disse Nadella sobre o impacto do Muse.

O que é o Muse?

O Muse é o primeiro modelo de IA generativa focado em jogos, chamado de World and Human Action Model (WHAM). Ele pode criar não apenas os elementos visuais dos jogos, mas também as ações do controle, permitindo que a IA gere toda a experiência do jogador.

A ideia por trás do Muse é ambiciosa: imagine digitar um comando simples como “quero jogar um FPS com alienígenas na Roma Antiga, sendo o protagonista parecido com Indiana Jones e com um tom de humor inspirado em Monty Python”. Com um clique, o jogo seria gerado instantaneamente.

Na teoria, a proposta é fascinante, mas ainda existem desafios, como questões de propriedade intelectual e direitos autorais. No entanto, Nadella acredita que essas barreiras não vão impedir o avanço da tecnologia e que em breve veremos o impacto real dessa ferramenta no mundo dos games.

“O que me empolga é a possibilidade de criar um catálogo de jogos gerados por IA, treinando os modelos para que os jogadores possam explorá-los em breve”, afirmou o CEO. “Isso é como o momento do CGI para os games a longo prazo.”

O compromisso da Microsoft com os jogos

Nadella também fez questão de ressaltar que os jogos ocupam um papel central na estratégia da Microsoft. “Não investimos em jogos apenas para construir modelos de IA. É interessante lembrar que lançamos nosso primeiro jogo antes mesmo do Windows. O Flight Simulator foi um produto muito antes do Windows existir. Jogos sempre fizeram parte da nossa história e queremos continuar neles pelo que representam.”

O CEO também comentou sobre como avalia o sucesso da IA. Para ele, não se trata de criar uma inteligência artificial consciente ou atingir a chamada AGI (Inteligência Artificial Geral), mas sim medir seu impacto na economia e na vida das pessoas. Ele defende que o verdadeiro desafio global é impulsionar o crescimento econômico.

“A empolgação com a AGI às vezes nos faz perder o foco. Antes de falarmos sobre inteligência artificial geral, precisamos observar o crescimento do PIB. Hoje, o crescimento médio do mundo desenvolvido é de 2%. Se ajustarmos pela inflação, é praticamente zero.

“Precisamos de um crescimento equivalente à Revolução Industrial, algo como 10% ou pelo menos 7%. Se conseguirmos um crescimento ajustado de 5% nas economias desenvolvidas, esse será o verdadeiro marcador de sucesso da IA”, explicou.

Outro ponto interessante da entrevista foi a visão de Nadella sobre a concorrência na indústria de IA. Ao contrário do que se poderia esperar, ele não enxerga o setor como uma “corrida do vencedor leva tudo”, em que uma empresa dominará completamente o mercado, como o Google fez com as buscas online.