A Polícia Federal tem até 17 de março para concluir o inquérito sobre a suposta fraude de R$ 12,2 bilhões envolvendo o Banco Master em créditos fictícios. O prazo foi estabelecido após uma prorrogação de 60 dias concedida em 16 de janeiro pelo então relator do caso, ministro Dias Toffoli, a pedido da própria PF. A investigação ganhou novo contorno com a recente troca de relatoria no Supremo Tribunal Federal.
O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do caso Master após Toffoli abrir mão da função. A mudança ocorre em momento crucial da investigação, quando a PF avança na análise de provas e se aproxima do prazo final para apresentar o relatório à Procuradoria-Geral da República.
Conclusão do Inquérito do Banco Master Depende de Novas Diligências
Em coletiva de imprensa realizada em 10 de fevereiro, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a equipe acredita ser possível concluir o inquérito do Banco Master dentro do prazo estabelecido. Segundo Andrei, a investigação que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, fundador do banco, deve ser finalizada até meados de março.
No entanto, a PF pode solicitar uma nova prorrogação ao relator André Mendonça caso seja necessário. O regimento interno do STF permite que a autoridade policial ou a PGR peçam extensão do prazo, desde que indiquem quais diligências ainda precisam ser concluídas.
Quebra de Criptografia Revela Novos Elementos
A investigação ganhou impulso nos últimos dias após a Polícia Federal conseguir quebrar a criptografia do celular de Daniel Vorcaro. Em dezembro de 2025, durante depoimento à delegada Janaína Palazzo, a defesa de Vorcaro havia se negado a fornecer acesso ao aparelho, alegando receios de vazamentos.
Quando questionado sobre os indícios encontrados no dispositivo, Andrei Rodrigues manteve sigilo. O diretor-geral justificou que a investigação está protegida por segredo de Justiça e não pode detalhar as análises em andamento.
Alinhamento Entre Novo Relator e Polícia Federal
Um dia após assumir a relatoria do caso Master, em 13 de fevereiro, o ministro André Mendonça se reuniu por videoconferência com o diretor-executivo da PF, Willian Murad. A reunião durou cerca de duas horas e serviu para que o magistrado se inteirasse dos detalhes do inquérito e alinhasse os procedimentos para dar continuidade à investigação.
Adicionalmente, Mendonça revisou com os agentes federais os procedimentos já adotados pelo gabinete de Toffoli. A transição busca manter a celeridade das apurações sem comprometer a qualidade técnica da investigação sobre os créditos fictícios.
Depoimentos Pendentes Atrasam Conclusão
A Polícia Federal ainda precisa ouvir cinco investigados na operação Compliance Zero, como foi batizada a investigação. Os depoimentos estavam agendados para 26 e 27 de janeiro, mas foram adiados por tempo indeterminado após questionamentos das defesas sobre a falta de acesso à íntegra do inquérito.
Entre os que ainda precisam depor estão dois ex-executivos da Tirreno Consultoria, André Felipe Seixas Maia e Henrique Peretto. Também aguardam oitiva o ex-superintendente de Operações Financeiras do Banco Regional de Brasília, Robério Mangueira, além dos ex-sócios de Vorcaro no Banco Master, Augusto Lima e Angelo Antonio Ribeiro da Silva.
A conclusão do inquérito do Banco Master dependerá da realização desses depoimentos pendentes e da análise completa do material obtido no celular de Vorcaro. Caso a Polícia Federal não consiga finalizar todas as diligências até 17 de março, uma nova solicitação de prorrogação ao ministro André Mendonça será necessária.







