Os dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que o roubo de celulares no Carnaval 2026 registrou aumento expressivo em todo o Brasil. Segundo o MJSP, o número de acionamentos para roubos, furtos e perdas de celulares cresceu aproximadamente 39% em comparação ao ano anterior, conforme informações da plataforma Celular Seguro do Governo Federal. O levantamento considera solicitações registradas durante o período de folia entre os dias 13 e 17 de fevereiro.
Durante o Carnaval deste ano, foram contabilizadas ao todo 3.115 solicitações na plataforma, segundo o ministério. Em contraste, o Carnaval de 2025, realizado entre 28 de fevereiro e 4 de março, registrou 2.240 acionamentos totais. O pico de ocorrências em 2026 foi observado no dia 17 de fevereiro, com 744 solicitações registradas.
Como funciona a plataforma Celular Seguro
Os dados sobre roubo de celulares no Carnaval são contabilizados a partir das solicitações feitas na plataforma do programa através de um aplicativo específico. O sistema permite a comunicação imediata de ocorrências envolvendo furtos, roubos e perdas de aparelhos telefônicos. Caso a vítima tenha o celular furtado durante um bloco de rua, por exemplo, ela pode recorrer ao telefone de alguém de confiança para realizar o cadastro.
De acordo com o ministério, basta informar o número da linha que foi roubada e acessar a plataforma com a própria conta. A ferramenta visa facilitar o bloqueio dos aparelhos e dificultar a ação de criminosos. Além disso, o sistema contribui para a produção de dados estatísticos sobre a criminalidade relacionada a dispositivos móveis em eventos de grande aglomeração.
Operações policiais durante a folia
Paralelamente ao aumento no roubo de celulares no Carnaval, autoridades policiais adotaram estratégias diferenciadas para coibir crimes durante a festividade. Policiais civis de São Paulo utilizaram fantasias criativas para se infiltrar nos blocos de rua ao longo do período carnavalesco. As caracterizações incluíram personagens como Scooby-Doo, Caça-Fantasmas, Turma do Chaves, Round 6 e extraterrestres.
Segundo o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, até o momento, 26 pessoas já foram presas após flagrantes em blocos de rua na cidade de São Paulo. O DHPP classificou a iniciativa dos agentes como inovadora, transformando o desafio da segurança pública em estratégia operacional efetiva. A infiltração de policiais fantasiados permite observar atitudes suspeitas e realizar prisões em flagrante com maior discrição.
Planejamento e critérios das operações
A escolha das fantasias utilizadas pelos policiais é feita de forma planejada, segundo o DHPP. A seleção prioriza personagens que se integrem naturalmente ao perfil dos eventos carnavalescos. Adicionalmente, são observados critérios como conforto e segurança dos agentes durante as operações de longa duração nos blocos de rua.
As equipes são formadas, em média, por seis a oito policiais que atuam em locais definidos com base em análise de inteligência. Essa análise considera histórico de ocorrências, fluxo de foliões e registros anteriores de furtos. Entre os comportamentos que despertam suspeita estão indivíduos que circulam sem participar da festa, focados nos bolsos e bolsas dos foliões, ou que se aproximam de vítimas distraídas.
Tecnologia aliada à segurança pública
Durante as abordagens, os policiais realizam consultas em sistemas policiais e, quando necessário, utilizam reconhecimento facial por meio de dispositivos móveis. Caso seja identificado mandado de prisão em aberto, a captura é imediatamente efetuada. A Polícia Civil classifica como positiva a atuação dos agentes infiltrados até o momento, destacando a eficiência na prevenção e repressão aos crimes patrimoniais.
As autoridades de segurança pública ainda não divulgaram se as operações especiais com policiais fantasiados serão mantidas em outros eventos de grande aglomeração. Também não há informações sobre a expansão da estratégia para outros estados brasileiros nas próximas festividades.








