O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, embarca nesta terça-feira (17) para uma viagem pela Ásia que inclui visitas à Índia e à Coreia do Sul. A agenda da viagem de Lula à Ásia concentra-se na busca por novos mercados e na assinatura de acordos em setores estratégicos, incluindo minerais críticos, aviação e inteligência artificial. O presidente brasileiro retorna ao país no dia 24 de junho.
Durante a viagem, o mandatário discursará ao lado de outros 20 líderes globais em Nova Délhi e participará de reuniões à margem de uma cúpula sobre inteligência artificial promovida pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Segundo fontes do governo, pelo menos oito acordos podem ser assinados durante a visita, embora quase 20 tenham sido discutidos nos bastidores.
Acordo sobre Minerais Críticos em Destaque
Um dos principais focos da viagem de Lula à Ásia é a assinatura de um memorando de entendimento sobre exploração de minerais críticos entre Brasil e Índia. As chancelarias dos dois países negociaram o documento que deverá ser assinado pelos Ministérios de Minas e Energia de ambas as nações. De acordo com embaixadores que tiveram acesso ao conteúdo, o memorando formaliza o interesse mútuo e estimula trocas de experiências, conhecimento e investimentos futuros.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras conhecida no mundo e busca atrair parceiros globais para pesquisa, extração, processamento e refino desses recursos em território nacional. Entretanto, o governo brasileiro não pretende estabelecer acordos de exclusividade, mantendo abertura para múltiplas parcerias internacionais.
A Índia, por sua vez, definiu em 2023 uma lista de 30 minerais críticos essenciais para setores como defesa, agricultura, energia, farmacêutico e telecomunicações. Em 2025, o governo indiano lançou um plano nacional com US$ 2 bilhões em financiamento estatal para assegurar fornecimento doméstico e internacional de minerais críticos. O programa visa estabelecer sete centros de excelência em mineração e registrar mil patentes até 2030, focando em lítio, cobalto, níquel e terras raras.
Oportunidades no Setor de Defesa
No campo da aviação de defesa, a indústria aeronáutica brasileira vislumbra uma oportunidade significativa na Índia. A força aérea indiana planeja promover uma concorrência bilionária para aquisição de até 80 aeronaves médias de transporte, visando renovar sua frota. O modelo brasileiro KC-390 é considerado um dos competidores mais fortes nessa disputa.
A Embraer firmou parceria com a empresa local Mahindra para participar da licitação, enfrentando concorrentes como Airbus e Kawasaki. Segundo relatos, Lula destacou a disposição da fabricante brasileira de criar uma linha de produção em solo indiano, atendendo às demandas do governo Modi por transferência de tecnologia.
Parceria Estratégica com a Coreia do Sul
Na Coreia do Sul, o presidente brasileiro se reunirá com o presidente Lee Jae-myung, com quem compartilha afinidades políticas e pessoais, incluindo um passado sindical. Os governos pretendem lançar um plano de ação para o período 2026-2029 e estabelecer uma parceria estratégica bilateral.
Adicionalmente, Brasil e Índia celebrarão a extensão da validade de vistos de negócios e turismo de cinco para dez anos, medida que entrou recentemente em vigor. Os países também pretendem reforçar o desejo de ampliar o acordo de comércio preferencial entre Mercosul e Índia.
Autoridades brasileiras informaram que, apesar das negociações, ainda não há previsão para uma decisão sul-coreana sobre abertura do mercado doméstico para carne brasileira. A situação se assemelha ao ocorrido com o Japão em 2024, que destravou inspeções mas não liberou as importações do produto brasileiro.









